sábado, 19 de setembro de 2009


Por favor
Deixa em paz meu coração,
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água.
Chico Buarque


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cadentes luzes.


Deitada na grama o céu empoeirado de estrelas passei o dedo e - curisoso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.

Rita Apoena

Churrasco em dia de domingo.

Me sinto mais que aconchegada, sinto que tenho uma família completa, com primos, tias e tios. Já não sabia a sensação de dizer: ''benção, tia''. Mesmo eu tendo uma família cheia ambições e segundas intenções espalhadas por todo o canto, tento não pensar nisso. Tomara que o tempo seja bondoso. Quero que isso seja iluminado.
Faça Deus que o sangue fale mais alto.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O sereno encharca.

Um dia ele irá vê-la de perto, talvez soltem sorrisos bobos e haverá silêncios, ele irá lembrar que o silêncio não a incomoda e ficará assim por alguns instantes, e depois que ela é um poço de risos. Poço, profundidade. Risos, simples risos, pois ela não é uma Gioconda de nenhum Leonardo da Vinci. E ela irá lembrar da suavidade que ele gosta, da bebida que ele toma e da sonoridade que ele tem.
Esse é o clima do desconhecido que eles desejavam.
Ela dobra as esquinas cheia de luz, ele permanece na festa cego de tanta luz.

Fora dos fundamentos sólidos para ele, para ela.

Esconderijo.


Procuro a solidão como o ar procura o chão, como a chuva só desmancha pensamento sem razão.
Procuro esconderijo, encontro um novo abrigo, como a arte do seu jeito e tudo faz sentido.
Calma pra contar nos dedos. Beijo pra ficar aqui. Teto para desabar. Você para construir.

Ana Cañas

terça-feira, 1 de setembro de 2009


Não ando na rua.
Ando no mundo da Lua,
falando às estrelas.

Helena Kolody

Quando se acena para o céu.

Não é fácil se despedir em uma rodoviária que só há ida, precisa-se de muitas lágrimas e largar a mão. É tão inaceitável. E perguntamos, ''por quê, Deus?'', a dor é tão profunda que deixamos de acreditar, nós nos prontificamos de criar nossas próprias sombras e o medo parece ser tudo o que nos resta. É nessa hora que devemos ajeitar a armadura, falar com Deus e ir pra frente, porque os ponteiros não voltam.

Esteja em paz, tio.

Marco Antônio del Castillo
1961-2009