domingo, 27 de dezembro de 2009

Todos escondem

_ O céu é bonito de noite.
_ Por que?
_ Porque a noite o sol arruma um esconderijo na escuridão.

(Silêncio)

_ Aliás, o céu não é mais bonito de noite.
_ Por que não é mais?
_ Porque o sol se esconde em você agora.



Preciso...

De uma noite estrelada. Uma brisa. Um vinho para matar a sede e molhar os lábios. E um tango para me fazer dançar e esquecer que sou apenas uma carcaça ao léu. Esquecer em cada som de sapateado ressoar ao meu ouvido esse vazio que meu coração tanto se conforta. Colocar em cada toque de pele o amor que tanto se distanciou de mim. Sentir somente o pulsar do ritmo no meu corpo.

O Pequeno Príncipe e a Raposa

E foi então que apareceu a raposa.
__ Bom dia - disse a raposa.
__ Bom dia - respondeu educadamente o pequeno príncipe, que , olhando a sua volta, nada viu.
__ Eu estou aqui - disse a voz, debaixo da macieira...
__ Quem és tu? - perguntou o principezinho. __ Tu es bem bonita...
__ Sou uma raposa - disse a raposa.
__ Vem brincar comigo - propôs ele. __ Estou tão triste...
__ Eu não posso brincar contigo - disse a raposa. __ Não me cativaram ainda.
__ Ah! desculpa - disse o principezinho.
Mas após refletir, acrescentou:
__ O que quer dizer "cativar"?
__ Tu não és daqui - disse a raposa. __ Que procuras?
__ Procuro homens - disse o pequeno príncipe. __ Que quer dizer "cativar"?
__ Os homens - disse a raposa - têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?
__ Não - disse o príncipe. __ Eu procuro amigos. __ Que quer dizer "cativar"?
__ É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. __ Significa "criar laços"...
__ Criar laços?
__ Exatamente - disse a raposa. __ Tu não és nada para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E Não tenho necessidade de ti. E tu também não tem necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. Eu serei para ti única no mundo...
__ Começo a compreender - disse o pequeno príncipe. __ Existe uma flôr... eu creio que ela me cativou...
__ É possível - disse a raposa. __ Vê-se tanta coisa na Terra...
__ Oh! não foi na Terra - disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__ Num outro planeta?
__ Sim.
__ Há caçadores nesse outro planeta?
__ Não.
__ Que bom! E galinhas?
__ Também não
__ Nada é perfeito - suspirou a raposa.
Mas a raposa retornou a seu raciocínio.
__ Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:
__ Por favor... cativa-me! -disse ela.
__ Eu até gostaria -disse o principezinho -, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
__ A gente só conhece bem as coisas que cativou -disse a raposa. __ Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__ O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
__ É preciso ser paciente -respondeu a raposa. __ Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. E te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
__ Teria sido melhor se voltasses à mesma hora -disse a raposa. __ Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
__ Que é um "ritual"? -perguntou o principezinho.
__ É uma coisa muito esquecida também -disse a raposa. __ É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adoram um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!

Assim o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
__ Ah! Eu vou chorar.
__ A culpa é tua -disse o principezinho. __ Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
__ Quis -disse a raposa.
__ Mas tu vais chorar! -disse ele.
__ Vou - disse a raposa.
__ Então não terás ganho nada!
__ Terei, sim - disse a raposa __ por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
__ Vai rever as rosas. Assim, compreenderá que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:
__ Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.
E as rosas ficaram desapontadas.
__ Sóis belas, mas vazias -continuou ele. __Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mas importante que todas vós, pois foi ela quem eu reguei. Foi ela quem pus sob a redoma. Foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E voltou, então, à raposa:
__ Adeus... -disse ele.
__ Adeus -disse a raposa. __ Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.
__ O essencial é invisível aos olhos -repetiu o principezinho, para não esquecer.
__ Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.
__ Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... -repetiu ele, para não esquecer.
__ Os homens esqueceram essa verdade -disse ainda a raposa. __ Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa...
__ Eu sou responsável pela minha rosa... -repetiu o principezinho, para não esquecer.

Aniversário do Meu videotape

Esse mês o blog Meu Videotape completa 1 ano, gostaria de agradecer a todos vocês que com comentários, crescentes visitas e bons números de seguidores, me motivaram a nunca esquecer de vir aqui e postar algo.

Obrigada e boas festas!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Um afeto na beira da estrada


A menina-mulher olhava para ele de um modo enfeitiçado, o homem-menino retribuía o olhar.
A menina-mulher soltava sorrisos que continham mais que a alegria e isso era explícito, o homem-menino percebeu e logo... deixou transparecer o que havia nele também.
A menina-mulher chegou perto dele, o homem-menino logo cedeu.
E sabe o que se viu nesse momento para os ali presentes? Não só um sentimento bom, algo mais raro, o respeito.

Ele tem filhos, ela ainda é uma moça.
Ele tem uma outra mulher, ela se contenta em apenas vê-lo.
Eles sonham em estar juntos talvez em outra vida...
Enquanto isso, ele a cativa com piadas, ela rir para encantá-lo.

Ofereço a Caroline Mesquita.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Um beijo secreto.
Uma declaração inesperada.
Uma ligação no meio da noite.
A dança que faz suar.
Uma flor dada.
Uma aposta.
Uma corrida.
De noite no centro da cidade a procura de uma lanchonete.
Ruas vivas de dia, mortas a noite.
Subir na árvore.
Cair.
Guardar um guardanapo.
Caneta nova.
Dor nas costas.
Conselhos de mãe.
O sonho que pede para não acordar.
Café das 18horas.
O banco da janela no ônibus.
A música que move os ossos.
Ganhar chocolate.
Minha origem, minha trilha é a felicidade.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas.
caio f
O orkut tem razão: Os dias são longos, os anos são curtos. Dois mil e nove está acabando, um ano especial, um ano cheio de conquistas, um ano sem igual. Hoje encostei a cabeça na janela do ônibus e pensei o quanto eu amo minha família, meus amigos, minha vida e você. Agradeci a Deus por tudo e bola para frente.

Conversa de menina boba

- De quem tu gostas, Elza?
- Ninguém, acho que ninguém mesmo.
- Nossa, que coisa! Tens que parar de ser assim.
- Sim, tenho que parar.
- Não gostas de ninguém mesmo?
- Não, não sou apaixonada por ninguém se é isso que tu queres saber.
- Como nós somos diferentes! Eu gosto de um a cada semana. Vivo apaixonada! Mas acho que sei porque tu és assim.
- Também vivo apaixonada, mocinha, mas não por meninos e sim, pela vida. Entendo, então, por que sou assim?
- Porque quando tu amas, tu não esqueces. Tu amas muito. Um amor raro.
- Deve ser...

As cortinas do céu abriram naquela noite, as estrelas pareciam movimentos de bailarina, as nuvens pareciam lençóis e o grande holofote, a lua, parecia uma pérola gigante, um diamante cortado pelo sol. Oh! Bela lua, como você estava romântica, caprichou no brilho para chamar a atenção do seu amor... Pobre lua, você se fez igual a mim.