domingo, 7 de junho de 2009

Diálogo.

Se ele tivesse coragem de contar-me o que sentia, eu iria respondê-lo mais ou menos assim e bem calma: A condição não se cura, mas o medo da condição é curável.

Aprendizagem e prazeres.

Ah, e a falta de sede. Calor com sede seria suportável. Mas ah, a falta de sede. Não havia senão faltas e ausências. E nem ao menos a vontade. Só farpas sem pontas salientes por onde serem pinçadas e extirpadas. Só os dentes estavam úmidos. Dentro de uma boca voraz e ressequida os dentes úmidos mas duros — e sobretudo a boca voraz para nada. E o nada era quente naquele fim de tarde eternizada pelo planeta Marte.

Clarice Lispector

sábado, 6 de junho de 2009

O Afogado.

– Não tenha medo — disse. – Eu te protegerei.
– Não tenho medo. E não preciso de tua proteção.
– O que há em ti que não compreendo?
– O que há em mim e não compreendes é o mesmo que há em ti, e tampouco compreendes.
Sorriu. Os dentes muito claros. Os olhos azuis. Punhalada de luz.
– Eles são capazes de tudo.
– Eu sei. Também eu sou capaz de tudo.
– Preciso descer. Não quero que morras.
– Também eu não quero que morras. Mas morreremos.

Caio F.

Dentro, fora.

Essa maldita compreensão sangrada de tudo, dói.

Milhas e milhas

Afogar a dor em uma limonada, sonhar com dias chuvosos e noites em claro perto da lareira, e conversas incertas sobre dias melhores... É distante.

...

Você mudou minha filosofia.
Nunca deixarei você apenas passar por mim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Batalhas da alma.

Onde encontrava-se a coragem, sonhos e objetivos que a pertenciam? Partiram.
Morreram dentro do seu crânio, foram enterrados em seus olhos e escorreram. Basta olhá-la e poderia acompanhar o eterno velório e sentir o ar fúnebre. O que restou? Além da sua carcaça com o destino ao sucatão, passos ligeiros que dobravam todas as esquinas, o olhar que fugia de todo os corpos que pulsam e um tanto de fé que não movia nem montanhas.

Ela tinha medo.


Elza Del Castilo